Por que Existem Questões
com Pegadinhas?

Mas por que raios as bancas fazem uso de questões com pegadinhas de concurso? Não seria esse um estratagema inaceitável em exames cujo objetivo final é apenas avaliar o conhecimento do candidato na prova em questão? Argumentam alguns que a finalidade dos exames não é apenas testar conhecimentos acumulados, mas também a capacidade de concentração, a atenção e a rapidez do raciocínio lógico dos candidatos. A pegadinha seria assim, um desafio, um instrumento adicional para pinçar os melhores dentre eles.

Embora o argumento tenha um certo valor, não explica tudo. Afinal, seria perfeitamente possível testar essas qualidades simplesmente aumentando o grau de dificuldade das questões ou elevando a complexidade lógica dos enunciados de forma a exigir um maior esforço de concentração do leitor. Em minha opinião, que acredito seja compartilhada pela maioria dos concurseiros, a razão principal para o uso frequente de questões com pegadinhas em provas de concursos públicos é bem diferente.

O Desafio das Bancas

Com tanta procura por vagas no serviço público, cujo ingresso, excetuando-se as indicações para os cargos denominados “de livre nomeação e exoneração”, é normalmente realizado através de concursos públicos, as instituições que elaboram as provas acabaram se defrontando com um grande desafio. Candidatos cada vez mais preparados eram classificados em número muito superior ao de vagas existentes. Essas pessoas investiam (e ainda investem) muito tempo e recursos preparando-se e obtendo bons resultados, mas nunca eram chamados, o que gerava (e ainda gera) uma grande frustração. Muitos desanimavam e desistiam (e ainda desistem) em meio à jornada. Esse problema ainda não foi, e talvez nunca venha a ser definitivamente resolvido.

A primeira tentativa de solucioná-lo foi dificultando cada vez mais as provas. Mesmo assim o problema permaneceu. O número de candidatos bem preparados ainda é muito superior à oferta de empregos no serviço público. E é bom mesmo que seja assim. Pelo menos vendo a coisa do ponto de vista do interesse nacional. O crescimento da máquina pública deve acontecer em função das necessidades do país e não como forma de combater o desemprego, tarefa que cabe principalmente à iniciativa privada. Pelo menos em uma economia de mercado que, aliás, é assumida pela própria Constituição. Como o simples aumento do nível de dificuldade das provas não é suficiente para classificar somente a quantidade de candidatos desejada, ou pelo menos um número de classificados que não seja excessivamente superior a isso, as bancas passaram a adotar uma estratégia adicional: As questões com pegadinhas. Do ponto de vista da banca, ou da instituição para o qual o concurso está sendo realizado, a questão com pegadinha tem a vantagem de eliminar da disputa mesmo candidatos muito bem preparados. Candidatos que estudaram e realmente conhecem os assuntos nos quais os seus conhecimentos serão testados, mas que infelizmente são em número maior do que a quantidade de vagas disponíveis.


Por isso não adianta apenas ser inteligente, estudar muito e conhecer a matéria. É preciso também “ficar esperto”. Estar atento às sutilezas do enunciado e principalmente das alternativas nas questões de múltipla escolha. Já não basta estar entre os melhores, pois é com estes que você irá disputar a desejada vaga. É preciso estar entre os primeiros dentre eles. Cada ponto, cada questão, cada pequeno detalhe, torna-se decisivo para aquilo que realmente importa: Classificar-se em uma posição na qual você tenha de fato grandes chances de ser convocado. Já que a simples classificação, mesmo nos primeiros lugares não garante a vaga. Apenas a expectativa da vaga.

É dura a vida do concurseiro!




 


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